Redução da "bandeira tarifária vermelha" no próximo mês deve trazer ligeiro alívio aos proprietários que evitam repassar custos aos clientes. Há os que substituem empregados com maiores salários por outros, pagando menos


Contas de luz têm impacto importante para os restaurantes, representando cerca de 10% a 15% dos custos. Depois da alta do preço de energia este ano, proprietários fecharam portas e outros demitiram funcionários com até mais de dez anos de casa para suportar o preço das contas, que aumentaram em torno de 50%. O impacto dessa despesa é proporcionalmente maior quanto menor for o estabelecimento.

Ida a restaurante associada ao lazer

Sócio do Bar do Alemão em Brasília, Eduardo Gomes, vive a realidade do setor, mas teve uma alegre surpresa no período de férias, em julho. O bar teve 20% a mais de clientes do que no mesmo mês do ano passado, o que se refletiu também na receita do restaurante. Ele acredita que o hábito do brasiliense de viajar nesse período para o exterior ou mesmo dentro do país foi “atrapalhado” pela crise econômica e pela alta do dólar.

Resultado disso, como alternativa de lazer, frequentaram mais restaurantes. E, além disso, acompanhados de gente da família que mora em outros estados. ‘É típico em Brasília. Se a pessoa não viaja, recebe em casa”, diz Eduardo Gomes. A cidade tem se beneficiado também com a concentração de shows, que servem para a gravação de álbuns de artistas.

A alta do dólar vira um problema quando se trata de usar ingredientes importados na produção de pratos tradicionais. Vale a criatividade e uso de ingredientes nacionais para reduzir custos, mas nem sempre isso é possível. E repassar alta de preços, por ora, está fora de questão, segundo Gomes, para evitar a fuga de clientes.

Comer fora é muito atrelado ao lazer e, com isso, o gasto é associado a supérfluo, entrando em zona de risco na hora de fazer cortes no orçamento doméstico, observa.

O presidente executivo da Abrasel, Paulo Solmucci, afirma que, em muitos dos estabelecimentos, cerca de 15% do faturamento vão para a conta de energia elétrica e que, “há uma década, ou mais, o custo era de 9%”. “O que a energia fez este ano, que na verdade vinha crescendo ao longo da década, foi comprimir ainda mais as margens. É uma pressão de custo muito forte. A própria mão de obra continua pressionada”, segundo ele.

Proprietária do restaurante Skinna, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, Simone Fernandes, liga o ar condicionado “somente o necessário”, e reclama da conta. “Repassei apenas R$ 2 reais ao preço de alguns itens do cardápio, justamente para manter a clientela.”

Alívio nas contas

Na última quinta-feira (13), a Aneel anunciou que será reduzida em 18% o valor da bandeira tarifária vermelha, que deverá significar menos 2% no valor total das contas de luz a partir de setembro. Mas, Solmucci acha pouco. "A situação só vai melhorar quando acabar a bandeira vermelha”. Mesmo assim, acha boa a notícia “O melhor é saber que a tendência é de queda, e não de alta".

Dados do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), que é a inflação oficial calculada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) mostram que no acumulado do ano, a alimentação fora de casa já subiu 6,46%.

“Ninguém vai parar de comer em bares e restaurantes. Mas, como os brasileiros têm procurado economizar, vão procurar lugares mais baratos”, disse o presidente da Abrasel.

Fonte: Fato Online